segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

POEMAS MEUS


MENSAGEM FINAL



Vergastadas rompendo carnes


No rito cruel do ódio


São agulhas perfurantes


Lancinantes dores cruas


Desta vida que eu vivo


Sem cuidados, nem amores...


Se a vida é sofrimento


Se a morte é o resultado


Desse viver melancólico


Que morra a humanidade


E carregue minha alma


Para o nada que ela é


Deixando riscos na aurora


Fragmentos no pó da terra


Sentimentos nas páginas belas


E todo o ódio do mundo


Nos rotos dentes dos ratos


Dos quais sou melhor repasto


Se a vida me abandonou.


De onde estou eu remeto


A derradeira mensagem


Intransmissível em palavras


Incompreensível em gestos


Vazia, no caos profundo


No fim de tudo e de todos.




PLANTÃO PERMANENTE



Quem se incomoda com o morro


E sua gente arquivada


Nas gavetas piramidais


Que arranham nuvens cinzentas?


Que sentimentos humanos,


Que almas despreparadas


Para a vida e para a morte


Vivem nos catres de lodo?


As sarjetas luminam o céu


E trazem a lua ao esgoto


Que reflete nossa alma


E todos os perdigotos


Com sua halitosidade,


Abandonando a boca


De dentes que são cloacas.


Nos corpos amontoados


nos barracos de lata e lixo


existem almas e vidas


cercadas de esperanças,


de balas de chumbo e ódio,


de bandidos impiedosos,


de mães que parem seus filhos


em puberdades sofridas,


homens deitados em bares


bebendo insensatez,


crianças rasgadas de vida


nos farrapos da má sorte.


Escolas ameaçadas


Alunos devoradores


Das merendas da caridade.


Nas casas a cesta básica


Mercadoria que compra


A cachaça e a maconha.


Salário isso e aquilo


Projetos, promessas vãs


Formam o caldeirão


Do que melhor alimenta


O político de plantão.




NO "POEIRA"



Ah! bandidos e mocinhos,


seriados da infância!


Ah! meus lindos amiguinhos


que ficaram na distância.


Que ficaram na distância


da minha vida pura e bela.


anseios da minha infância,


ah! não volto mais a ela!


Ah! não volto mais a ela.


linda fase que passou,


tão pura e tão singela,


o que dela me ficou?


O que dela me ficou:


o faroeste da vida;


o seriado acabou,


hoje é outra minha lida.


Hoje é outra minha lida


sem toda aquela esperança,


não tem mocinha querida


com espírito de criança.


Com espírito de criança


relembro aqueles "balões",


no "saloon" aquela dança


da briga dos valentões.


Da briga dos valentões


emergia um final.


alegres os corações:


vencia o bem contra o mal.


Vencia o bem contra o mal,


era exemplo e lição.


o mocinho triunfal


ninguém derrotava não.


Ninguém derrotava não


do mocinho a jactância


que prendia o vilão.


Essa era minha ânsia


Essa era a minha ânsia


da vida mais pura e bela,


anseios da minha infância,


ah! não volto mais a ela...



J. Eloy Santos

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